Em janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo do Brasil, o Diesel custava, em média, R$ 1,527 ao consumidor. Em 01 de julho de 2022 e sob o governo Bolsonaro, o mesmo combustível registrou o valor médio de R$ 7,554 na bomba. Um aumento de mais de 394% em menos de 19 anos.

Infográfico desenvolvido por blogdocarlos.com

Os preços deste levantamento foram checados na extensão do http://preco.anp.gov.br, do portal gov.br, que atualmente está fora do ar, segundo o governo, por um ataque hacker ocorrido a duas semanas. Conveniente? Vamos ver comparando a evolução dos preços do Diesel em cada governo, levando em consideração alguns fatos importantes ocorridos nos espaços de tempo.

Lula

Nos dois mandatos de Lula, que totalizaram 8 anos, o diesel teve um aumento de 37,50% total, partindo de R$ 1,57 em janeiro de 2003, para R$ 2,09 em dezembro de 2010, apesar da expansão do País.

À época, analistas apontavam que a principal causa do aumento do combustível fóssil foi a guerra do Iraque, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, que durou de março de 2003 a dezembro de 2011. Na época houve uma grande queda na produção da commoditie: em 2004, por exemplo, a produção caiu de 2 milhões de barris por dia para 1 milhão. Ao mesmo tempo, houve um forte aumento mundial da procura pelo combustível.

No mercado internacional, em janeiro de 2003, o barril de petróleo custava US$ 30,75 segundo o Index Mundi. Já em 2006, início do segundo mandato do petista, o mesmo barril chegou a US$ 72,45 após o furacão Katrina nos EUA. Ao final do mandato de Lula, em dezembro de 2010, o preço do barril de petróleo era US$ 90,01, um aumento de 192% no valor da matéria prima do Diesel, cinco vezes mais que o reajustes aplicados no combustível e repassados aos consumidores.

A média de aumento anual no preço do Diesel durante os governos Dilma ficou em 4,69%.


Dilma

Já sob o governo Dilma, que governou o país por seis anos, pois foi impeachmada no meio do segundo mandato, o diesel teve um aumento de 44,02% no Brasil, partindo de R$ 2,09 em janeiro de 2011, para R$ 3,01 em maio de 2016. De acordo com um estudo elaborado pelo Dieese, a operação da Polícia Federal que atingiu pesadamente a Petrobras pode ter custado ao País 4,4 milhões de empregos e 3,6% do PIB.

No cenário externo, o preço do barril de petróleo saiu de US$ 92,69 em janeiro de 2011 para US$ 45,94 em maio de 2016, quando Dilma foi afastada do cargo no início do processo que culminou no seu impeachment. Houve uma variação negativa de 50% no mercado internacional.

De acordo com Paulo Cesar Lima, ex-consultor legislativo do Senado sobre Petróleo, o governo Dilma foi marcado por um declínio dos investimentos internos, principalmente na Petrobras.

A média de aumento anual no preço do Diesel durante os governos Dilma ficou em 44,22%.


Temer

Nos dois anos do governo Temer, com a Lava-Jato encerrada e a mudança da forma de cobrança do combustível, o valor aumentou 15,95%, partindo de R$ 3,01 para R$ 3,49.

Foi sob Temer que o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, instituiu a mudança da cobrança do preço do combustível pela Petrobras para o Peço de Paridade de Importação (PPI). Ou seja, indexada ao preço do petróleo praticado internacionalmente.

Durante o período de dois anos, de junho de 2016 até dezembro de 2018 – o preço do barril de petróleo saiu de US$ 47,69 para US$ 53,96, uma variação de 13%, abaixo da praticada no Brasil.

A média de aumento anual no preço do Diesel durante o governo Temer ficou em 15,95%.


Bolsonaro

De janeiro de 2019, quando Bolsonaro assumiu a presidência até 01 de julho recente, 43 meses, portanto, o diesel aumentou 116,51%, partindo de R$ 3,49 o litro, para R$ 7,55. Fato que curiosamente, não atiçou a ira dos caminhoneiros, que fizeram uma das mais impactantes manifestações do país em maio de 2018.

No mercado externo, o destaque foi a guerra entre Ucrânia e Rússia. O barril de petróleo, ao passar de US$ 56,58 para US$ 103,41, teve um aumento de 82%. Com a manutenção do PPI e considerando o preço do mercado externo, as variações atendem o “mercado nervoso”.

Nesta segunda-feira (15) o barril do petróleo tipo Brent fechou a US$ 92,96

Mas a culpa dos aumentos dos combustíveis no Brasil não podem ficar apenas na conta da Guerra na Ucrânia, pois os preços já batiam recordes em agosto de 2021, por exemplo, seis meses antes da guerra.

Nessa época a alta era concentrada aqui e eram notícias as filas, que chegavam até quatro horas de espera para abastecer nas cidades argentinas e paraguaias que fazem fronteira com o Brasil.

Resumindo, a escalada dos preços dos combustíveis no mundo chegou ao Brasil que enfrentava seus problemas graves, com a instabilidade política do governo Bolsonaro que ajudou o Dólar partir de R$ 3,657 em janeiro de 2019, para R$ 4,326 em fevereiro de 2020, antes da pandemia, ou R$ 5,357 em 31 de janeiro de 2022, mais de 20 dias antes do início da guerra.

A média de aumento anual no preço do Diesel durante governo Bolsonaro ficou em 32,51%.