Por erro de estratégia, ou real necessidade, o atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UN), foi o principal responsável por manter viva a personalidade do seu maior rival político, Marconi Perillo (PSDB).

Marconi Perillo (PSDB) / Ronaldo Caiado (UN)
Fotomontagem: Reprodução (A Redação)

Como se não bastasse manter vivo na memória dos goianos o nome do ex-governador tucano, com suas acusações diárias, o esforço explícito e até paranoico de Caiado para apagar o legado ‘marconista’ acabou chamando a atenção justamente para muito do que Perillo deixou para Goiás.

Quem não sabia antes, após a luta de Caiado para apontar ilegalidade na política de incentivos fiscais realizada por Marconi, acabou sabendo do arrojo de Perillo, que pavimentou a industrialização do estado, até então dependente economicamente apenas do setor agrícola.

Os servidores públicos que não estavam satisfeitos, acabaram entendendo que eram felizes sem saber. Quem deles esqueceu do parcelamento de salários e o cancelamento de direitos?

Qual goiano não sabe que os atuais programas sociais implementados por Ronaldo Caiado, às vésperas e somente por causa das eleições, são ‘remakes’ piorados, menos abrangentes, dos programas lançados e executados por Marconi Perillo?

Quantos vão se esquecer que, para rebatizar esses programas e tentar se apossar deles, o “cabeça branca” deixou as famílias socialmente vulneráveis sem nada, por três anos inteirinhos?

Saindo do debate sobre legados, o próprio Caiado também acabou se transformando em uma espécie de ‘atestado de idoneidade’ ambulante para Marconi, pois em três anos de acesso ilimitado à máquina, não encontrou nada para incrementar suas acusações contra o adversário. Ao contrário disso, o “maior tocador de obras do estado”, como ficou conhecido o tucano, vem se livrando judicialmente de todas as imputações.

A impressão que se tinha, lá em meados de 2021, era que Marconi Perillo não pensava muito além do que ser candidato a deputado federal, para voltar ao cenário político e reconstruir sua carreira. Porém os argumentos anteriores praticamente forçam o ex-governador a tentar seu retorno ao Palácio das Esmeraldas.

O peessedebista lidera com uma folga monstruosa a corrida por uma vaga no Senado Federal e, sem dizer a que cargo pretende concorrer, está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para o governo de Goiás, a frente do badalado Gustavo Mendanha (Patriota) e com a rejeição em queda, empatado tecnicamente com Caiado.

Talvez haja entre seus aliados quem pense que o ex-governador deveria optar por uma candidatura ao Senado Federal, mais garantida, mas a conjuntura do momento parece empurra-lo novamente para a disputa ao cargo de governador.